Jaques Wagner ganhou ingressos de camarote para show de Taylor Swift em 2023 por R$ 63 mil, diz PF

Montagem mostra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e a cantora Taylor Swift. A Polícia Federal afirma que líder do governo recebeu cinco ingressos de camarote p...

Jaques Wagner ganhou ingressos de camarote para show de Taylor Swift em 2023 por R$ 63 mil, diz PF
Jaques Wagner ganhou ingressos de camarote para show de Taylor Swift em 2023 por R$ 63 mil, diz PF (Foto: Reprodução)

Montagem mostra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e a cantora Taylor Swift. A Polícia Federal afirma que líder do governo recebeu cinco ingressos de camarote para show. Montagem/g1 A Polícia Federal afirma que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, recebeu ingressos de camarote para show de Taylor Swift em 2023, segundo apuração de Túlio Amâncio. A investigação aponta que foram comprados ingressos para o dia 25 de novembro de 2023, quando, a cantora fez um show em São Paulo, na turnê "The Eras Tour", com entradas disputadas no Brasil. Segundo a investigação, os bilhetes foram adquiridos por orientação de Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master, por R$ 63.339 (entenda a relação entre Augusto Lima e Daniel Vorcaro mais abaixo). A PF afirma que os ingressos foram destinados a familiares do parlamentar, mas não deixou claro se o próprio Wagner foi ao show. A decisão também cita um show em Los Angeles, nos EUA, onde Taylor se apresentou em agosto de 2023. Não fica claro se também foram comprados ingressos também para a cidade americana. A TV Globo procurou a assessoria do senador, mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta. A TV Globo procurou a assessoria do senador, mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta. LEIA MAIS: PF cita cobrança de enteado de Jaques Wagner a gestor do Master: 'Amanhã vence os boletos' Jaques Wagner teria recebido vantagens indevidas como apartamento e R$ 3,5 milhões, diz PF Saiba como Jaques Wagner teria atuado em benefício do Banco Master, segundo a PF Jaques Wagner é alvo de nova fase da operação Compliance Zero O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Carlos Moura/Agência Senado De acordo com a decisão, Augusto Ferreira Lima orientou sua secretária, em junho de 2023, a providenciar os ingressos. A compra foi feita pela empresa REAG Investimentos S.A., após tratativas que também envolveram João Carlos Mansur. A defesa de Augusto Lima afirmou que ele "sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública". As mensagens analisadas pela PF mostram que, em 23 de novembro de 2023, Wagner perguntou a Augusto sobre os "ingressos de sábado", em referência a um show que aconteceria, segundo a PF, no dia 25 daquele mês, em Los Angeles, na Califórnia. Em resposta, recebeu os arquivos dos bilhetes para o camarote. Segundo a investigação, o senador pediu posteriormente que o número de entradas fosse ampliado para cinco pessoas. Augusto respondeu enviando mais dois ingressos. A mensagem reproduzida na decisão diz: "Pronto amigo. Seguem os outros dois". A PF cita o episódio como um dos exemplos da proximidade entre Wagner e Augusto Ferreira Lima. A investigação também menciona outras supostas vantagens recebidas pelo parlamentar, como o uso de aeronaves privadas e negociações relacionadas à aquisição de um apartamento em Salvador. LEIA TAMBÉM: Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno, ex-sócio de Daniel Vorcaro, alvo da PF e ligado a petistas da Bahia O caso integra a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa envolvendo gestores e operadores ligados ao Banco Master. A 9ª fase da Operação Compliance Zero revela detalhes das suspeitas que pesam sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Segundo informações obtidas pela TV Globo e que constam nos autos, o foco central desta fase é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. "A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master", diz um trecho da decisão. A apuração teve um avanço, segundo a PF, após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, que revelaram a dinâmica do suposto esquema. "A investigação reúne mensagens, áudios, ligações telefônicas, contratos, comprovantes de transferências bancárias, registros de empresas, planilhas de pagamentos e dados extraídos de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero", detalha outro trecho do documento. Augusto Lima, dono do Banco Pleno Vanner Casaes/Agência Alba Qual a relação entre Augusto Lima e Daniel Vorcaro A relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima teve origem nos negócios do Banco Master. Lima levou ao grupo a operação do CredCesta, um cartão consignado voltado a servidores públicos da Bahia que se tornou uma das principais frentes de atuação da instituição financeira. Ao longo dos anos, Augusto Lima passou a ser tratado como um dos principais aliados de Vorcaro e participou de negociações consideradas estratégicas para o crescimento do conglomerado e é apontado como um elo importante entre operações financeiras e articulações de interesse do grupo. De acordo com as investigações, Vorcaro chegou a recorrer a Augusto Lima em meio a crises relacionadas a denúncias que atingiam o banco. Em uma dessas ocasiões, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal, o banqueiro teria pedido ajuda ao ex-sócio para conter a repercussão de acusações sobre aportes suspeitos envolvendo o Rioprevidência. Nas investigações mais recentes, a Polícia Federal também passou a atribuir a Augusto Lima um papel relevante não apenas na estrutura financeira ligada ao Banco Master, mas também nas conexões políticas investigadas. A proximidade entre Lima e figuras públicas aparece em diferentes frentes da apuração e é citada pela PF como um dos elementos centrais para compreender a rede de relacionamentos construída em torno do grupo.